quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um pássaro em forma de coração?



Um coração e uma moça a voar?
Um sol a esperar ali embaixo.
Ou seria um ovo cozido, bem cortadinho, em pé?
A vida pressupõe tantas visões de um mesmo evento...
São possíveis tantas versões de um mesmo fato... Tudo pode.
Nada impede o que quer ser.

É questão de escolher.
A vida nada mais é que uma seqüência de escolhas.
E como faz pra viver quem tem dificuldade de escolher?
A vida pode te escolher. Ou não.
Melhor, então, é arregaçar as mangas e escolher você mesmo.
Afinal, é um pássaro, um coração ou uma moça? Você sabe?
E você escolhe o quê?
Nesta noite eu escolho a Paz.

de Felicidade

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Que é mais real?



Que é mais real,

O pássaro que voa e cruza o pátio como um suspiro de água
Ou o pássaro suspiro que imagino voando agora mesmo
— eu escritor —tão longe deste pátio?
Que é mais real,
O pássaro que voa em minha imaginação como um suspiro de água
Ou o que voa na água rubra que marcas estas linhas
Desenhando este pássaro?
Que é mais real,
a cauda aérea deste pássaro que meu sonho pinta
ou esta tinta rubra que reproduz o pensamento que o cria?
Que é mais real,
as asas do pássaro que canta enquanto cruza o ar deste pátio
ou o âmago do texto que o sonho e pinta?
Que é mais real?
Enfim, que é mais real?
O pássaro voador criado por minha pluma
ou tu, meu bom leitor, imaginado pelo pássaro?

de Carlos Trujillo

domingo, 13 de junho de 2010

Pássaro rebelde




Quando eu te amarei?
Meu Deus, não sei,
Talvez nunca, talvez amanhã.
Mas não hoje, isso é certo.

O amor é um pássaro rebelde
Que nada pode aprisionar
E é simplesmente em vão chamá-lo
Se para ele é conveniente recusar.
Nada pode ser feito, ameaçar ou suplicar
um fala, o outro cala;
E é o outro que prefiro
Não diz nada; mas me agrada.
Amor!

O amor é uma criança cigana,
que nunca, nunca conheceu lei alguma
Se não me amas, eu te amo,
Se eu te amo, proteja-te
Se não me amas,
Se não me amas, eu te amo!
Mas, se eu te amo,
Se eu te amo, proteja-te!

O pássaro que você pensou ter surpreendido
Bateu as asas e voou
O amor está longe, podes esperar por ele
Se não esperares mais por ele, ele chega!
Ao teu redor, depressa, depressa,
Ele vem, vai e depois vem de novo
Pensas em segurá-lo, ele te evita
Pensas em evitá-lo, ele te segura
Amor, amor, amor, amor!


De Georges Bizet in Carmen (Habanera)


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Os pássaros de Vera




os pássaros de pedra dilatam as oferendas
os pássaros de carne batem-se contra as grades
os pássaros de lata arrulham nas ferrovias dos nervos
os pássaros de madeira mascam o macio dos músculos
os pássaros de papel voam para dentro das crases
os pássaros de carvão rabiscam suas asas no ventre
os pássaros de fogo puxam os pássaros de chuva
os pássaros de pano acalentam os pássaros de pranto

de Vera Lúcia de Oliveira

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