THE DREAM OF TOMORROW by Ismail Shammout
Depois do céu tenho um céu para voltar, mas
ainda lustro o metal deste lugar, e vivo
a hora que vê o oculto. Sei que o tempo
não repete o nosso acordo, sei que sairei do
meu estandarte como uma ave que não pousa nas árvores do jardim,
sairei da minha pele, e da minha língua
cairão palavras de amor como o amor da
poesia de Lorca que habitará o meu quarto
e verá o que eu vi da lua beduína. Sairei das
amendoeiras como o algodão sai das espumas do mar. Um estranho passou
levando setecentos anos de cavalos. Um estranho passou
aqui, como passa também lá. Sairei em breve
das rugas do meu tempo, como um estranho, rumo à Síria e ao Alandalus.
Esta terra não cobre o meu céu, mas esta tarde é minha,
as chaves são minhas, meus são os minaretes e os lampiões, eu
também sou meu. Sou o Adão de dois paraísos, que perdi duas vezes.
Expulsem-me, mas devagar,
matem-me, mas devagar,
debaixo da minha oliveira,
com Lorca...
(de Mahmoud Darwich, In ZUNÁI - Revista de poesia & debates)
Morada Del Llanto












