
em que
um pássaro vermelho
tocou-me os lábios.
Bendito o pássaro.
Eis que
a pássara e seus dias
desbotados
ganharam
um pouco de cor.

Alma, pássaro assustado,
tu sempre perguntarás:
quando, após tantos maus dias,
vem a calma, vem a paz?
Mas sei: tão logo tenhamos
calmos dias sob a terra,
com saudade hás de fazer
de cada dia uma praga.
E, apenas salva, estarás
cansando-te em outras penas:
e impaciente arderás como
a mais jovem das estrelas.
de Hermann Hesse in Andares
* Para las 3 brujas.

Não há como escapar. Você não pode ser um vagabundo e um artista e ainda ser um cidadão pacato, um homem saudável e forte. Você quer ficar bêbado, então você tem que aceitar a ressaca. Você diz sim à luz do sol e para suas puras fantasias, então você tem que dizer sim para a sujeira e as náuseas. Tudo está dentro de você, o ouro e a lama, felicidade e dor, o riso da infância e da apreensão da morte. Diga sim a tudo, não fuja de nada. Não tente mentir para si mesmo. Você não é um cidadão sólido. Você não é um grego. Você não é harmonioso, ou o mestre de si mesmo. Você é uma ave na tempestade. Deixe Chover! Deixe que ela o guie! Quanto você mentiu! Mil vezes, mesmo em seus poemas e livros, você representou ser o homem harmonioso, o homem sábio, o feliz, o homem iluminado. Da mesma forma, os homens atacando na guerra representaram ser heróis, enquanto as suas entranhas se contorciam. Meu Deus, que macaco pobre, que esgrimista no espelho o homem é - particularmente o artista - particularmente o poeta - particularmente eu mesmo!

