quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Murmúrios




Pousa num ramo um sopro de agonia
dos que morrem (sem saber)
em nosso coração.
Suspira a noite no vento vadio.
Amados mortos: tentais dizer
o quanto amais ainda?

de Dora Ferreira da Silva

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Boneca





A boneca de feltro
parece assustada com o próximo milênio.
Quem a aninhará nos braços
com seus olhos de medo e retrós?

O signo da boneca é frágil
mais frágil que o de pássaro.
Confia. Assim passiva
o vento brincará contigo
franzirá teu avental
dirá coisas que entendes
desde a aurora das coisas:
foste um caroço de manga
uma forma de nuvem
ou um galho com braços
de ameixeira no quintal.

Não temas. Solta o
corpo de feltro. Assim.
Para ser embalada nos braços
da menina que houver.

de Dora Ferreira da Silva

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A ave




A ave constrói o ninho; a aranha, a teia; o homem, a amizade.

de William Blake




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