domingo, 13 de dezembro de 2015

Se eu puder

vacioesformaformaesvacio.blogspot.com


Se eu puder evitar que um coração se parta
Não viverei em vão.
Se eu puder suavizar a aflição de uma vida
Aplacar uma dor,

Ou ajudar um frágil passarinho
A retornar ao ninho,
Não viverei em vão.


 
de Emily Dickinson





sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Anseios

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Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!

Não estendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar!...



de Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

Mais sobre Florbela Espanca no site: Templo de Delfos
Vale a pena visitar!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Mistério

https://br.pinterest.com/pin/527202700099389723/


Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas...

Talvez um dia entenda o teu mistério...
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

de Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"





sábado, 31 de outubro de 2015

Amáveis mas indomáveis



Amáveis    
Mas    indomáveis    
O    poeta    e    seu    cavalo.    
Um    arcabouço    pensado    
Para    limitar-se    ao    pouso    
E    do    vôo,    alimentar-se.    
Sente    os    espaços    mas    sabe    
Até    onde    irá    seu    passo.    
Sente    a    beleza    do    salto    
Mas    conhece    sua    lhaneza:    
A    própria,    inerte    beleza    
De    saber-se    aprisionado    
E    contentar-se    de    sonhos    
Maravilhar-se    de    achados.    
O    poeta    -    e    seu    vocábulo.    
O    cavalo    -    e    seu    pedaço    de    terra    
Mais    nas    alturas,    
De    brisa,    de    solidão    e    hortaliça.    
Entrelaçadas    aspiram    
Respiram    juntos.    
   
E    vistos    em    direção    
Às    cordilheiras    do    espanto    
       
   Quase    sempre    se    confundem.    
Sonhando    reter    no    flanco    
Exaltação    e    delírio,    
Nas    noites    de    grande    lua    
(Entre    ciprestes    e    lírios)    
O    cavalo    me    acompanha    
Às    profundezas    guardadas    
Onde    flutuam    palavras.    
E    lá    mergulho    e    anoiteço.    
E    encontro    coisas    do    medo    
Mandalas    de    cor,    rosáceas    
E    malmequeres    antigos    
Sobre    algum    livro    encantado    
De    pergaminho,    de    prata    
E    de    pensamentos    idos.   
 


de Hilda Hilst, in Bucólicas

Yma Sumac - Magic


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Querer voar




- Querer voar, Samsara? Queres trocar o moroso das pernas
 Pela magia das penas e planar coruscante
Acima da demência? Porque te vejo às tardes desejosa
De ser uma das aves retardatárias do pomar.
Aquela ali talvez, rumo ao poente.

Pois pode ser, lhe disse. Santos e lobos
Devem ter tido o meu mesmo pensar. Olhos no céu
Orando, uivando aos corvos.

Então aproximou-se rente ao meu pescoço:

- Esquece texto e sabença: as cadeias do gozo.
E labaredas do intenso te farão o voo.

de Hilda Hilst in Amavisse (1989)
 

Suíte dos Orixás - Iansã



quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sob a sombra da faia

 


Amigo! O campo é o ninho do poeta...
Deus fala, quando a turba está quieta,
Às campinas em flor.
— Noivo — Ele espera que os convivas saiam...
E n’alcova onde as lâmpadas desmaiam
Então murmura — amor —

Vem comigo cismar risonho e grave...
A poesia — é uma luz... e alma — uma ave...
Querem — trevas e ar.
A andorinha, que é a alma — pede o campo
A poesia quer sombra — é o pirilampo...
Pra voar... pra brilhar.

Meu Deus! Quanta beleza nessas trilhas...
Que perfume nas doces maravilhas,
Onde o vento gemeu!...
Que flores d’ouro pelas veigas belas!
... Foi um anjo co’a mão cheia de estrelas
Que na terra as perdeu.

Aqui o éter puro se adelgaça...
Não sobe esta blasfêmia de fumaça
Das cidades para o céu.
E a terra é como um inseto friorento
Dentro da flor azul do firmamento,
Cujo cálice pendeu!...

Qual no fluxo e refluxo, o mar em vagas
Leva a concha dourada... e traz das plagas
Corais em turbilhão,
A mente leva a prece a Deus — por pérolas
E traz, volvendo após das praias cérulas,
— Um brilhante — o perdão!

A alma fica melhor no descampado...
O pensamento indômito, arrojado
Galopa no sertão,
Qual nos estepes o corcel fogoso
Relincha e parte turbulento, estoso,
Solta a crina ao tufão.

Vem! Nós iremos na floresta densa,
Onde na arcada gótica e suspensa
Reza o vento feral.
Enorme sombra cai da enorme rama...
É o Pagode fantástico de Brama
Ou velha catedral.

Irei contigo pelos ermos — lento —
Cismando, ao pôr-do-sol, num pensamento
Do nosso velho Hugo.
— Mestre do mundo! Sol da eternidade!...
Para ter por planeta a humanidade,
Deus num cerro o fixou.

Ao longe, na quebrada da colina,
Enlaça a trepadeira purpurina
O negro mangueiral...
Como no Dante a pálida Francesca,
Mostra o sorriso rubro e a face fresca
Na estrofe sepulcral.

O povo das formosas amarílis
Embala-se nas balsas, como as Wilis
Que o Norte imaginou.
O antro — fala... o ninho s’estremece...
A dríade entre as folhas aparece...
Pã na flauta soprou!...

Mundo estranho e bizarro da quimera,
A fantasia desvairada gera
Um paganismo aqui.
Melhor eu compreendo então Virgílio...
E vendo os Faunos lhe dançar no idílio,
Murmuro crente: — eu vi! —

Quando penetro na floresta triste,
Qual pela ogiva gótica o antiste,
Que procura o Senhor,
Como bebem as aves peregrinas
Nas ânforas de orvalho das boninas,
Eu bebo crença e amor!...

E à tarde, quando o sol — condor sangrento —,
No ocidente se aninha sonolento,
Como a abelha na flor...
E a luz da estrela trêmula se irmana
Co’a fogueira noturna da cabana,
Que acendera o pastor,

A lua — traz um raio para os mares...
A abelha — traz o mel... um treno aos lares
Traz a rola a carpir...
Também deixa o poeta a selva escura
E traz alguma estrofe, que fulgura,
Pra legar ao porvir!...

Vem! Do mundo leremos o problema
Nas folhas da floresta, ou do poema,
Nas trevas ou na luz...
Não vês?... Do céu a cúpula azulada,
Como uma taça sobre nós voltada,
Lança a poesia a flux!...
 

Castro Alves, in Espumas Flutuantes (1870)


 Djelem, Djelem


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sempre Adeus

L'Oiseau Vert (de M. Chagall)




O crepúsculo se enfuna:
 peito de pássaro que se afasta.

Despede-se um barco do naufrágio de plumas:

 enganoso mar e a nau lançando âncoras

como se o sempre aqui se detivera.



de Dora Ferreira da Silva (In Jardins, 1979)




segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Persigo

 


Persigo um pássaro
e alcanço, apenas,
no muro,
a sombra de um voo. 

de Helena Kolody 


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Seria o Amor Português

https://www.flickr.com/photos/artdrauglis/5937039044/in/faves-29099136@N08/


Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
— tanto pó sobre os móveis tua ausência.

Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.
Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
«Que me importa que batam à porta...»
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.

Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.

Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta? 


de Fernando Assis Pacheco, in “A Musa Irregular”



Fairuz - Eh Fi Amal



sábado, 13 de junho de 2015

Foi um Momento

L'Ange Dans Les Fleurs - M. Chagall

Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
‘Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.


de Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"


Ana Moura - Velho Anjo 


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Existes

 Marc Chagall, L'ange à la palette (1927-1936)


I — Tu não existes, eu bem sei, mas sei eu ao certo se existo? Eu, que te existo em mim, terei mais vida real do que tu, do que a própria vida que te vive?


     Chama tornada auréola, presença ausente, silêncio rítmico e fêmea, crepúsculo de vaga carne, taça esquecida para o festim, vitral pintado por um pintor-sonho numa idade média doutra Terra.
    Cálice e hóstia de requinte casto, altar abandonado de santa ainda viva, corola de lírio sonhado do jardim onde nunca ninguém entrou...
    És a única forma que não causa tédio porque és sempre mudável com o nosso sentimento, porque, como beijas a nossa alegria, embalas a nossa dor, e ao nosso tédio, és-lhe o ópio que conforta e o sono que descansa, e a morte que cruza e junta as mãos.
    Anjo (...), de que matéria é feita a tua matéria alada? que vida te prende a que terra, a ti que és voo nunca erguido, ascensão estagnada, gesto de enlevo e de descanso?


de Fernando Pessoa in Livro do Desassossego

 

domingo, 3 de maio de 2015

Outrora Fomos Pássaros



Conta uma velha lenda que antigamente os Ciganos eram pássaros. Um dia, em pleno voo sobre a terra, viram um palácio dourado brilhando ao sol e desceram para ver melhor. 
O palácio era habitado por perus, galinhas e patos que, maravilhados pela beleza dos ciganos-pássaros, começaram a oferecer-lhes todo o tipo de jóias e guloseimas, suplicando-lhes que não partissem. 
Em breve, todos os pássaros estavam cobertos de correntes de ouro, dos pés à cabeça. Apenas um resistira à tentação daquelas riquezas, incitando os outros a retomar o voo. 
No entanto, ninguém lhe prestou atenção. Então, com o coração pesaroso, elevou-se no ar e atirou-se sobre as pedras, desde o alto dos céus. Só nesse momento é que os ciganos-pássaros começaram a acordar do seu entorpecimento, batendo as asas. Mas o ouro puxava-os para baixo e não conseguiam erguer-se e voar. 
Perus, galinhas e patos cantaram vitória. Manteriam para sempre aqueles belos pássaros encerrados nas suas gaiolas de ouro. De repente, uma pequena pena vermelha deslizou para dentro do palácio, indo aterrar aos pés dos pássaros. O ouro caiu dos seus corpos, mas as suas asas já não lhes obedeciam e não conseguiram voar. A pequena pena vermelha, suavemente levantada pelo vento, saiu do palácio e foi errar pelos caminhos poeirentos. Os ciganos seguiram-na e foram perdendo as suas penas, uma por uma, transformando-se assim pouco a pouco em humanos. Com corpos de homem e almas de pássaro, esqueceram-se para sempre de como voar.


Conto Tradicional "We Used To Be Birds Before",
traduzido por Mónica Roncon in Outrora Fomos Pássaros





sexta-feira, 3 de abril de 2015

Se viverdes em mim


Se viverdes em mim, vereis até onde me estendo.

Pássaro que estende em arco seu claro movimento


Um dia há de pousar e estender-se em raiz. Ares


De um tempo colaram-se nas asas e um só tempo


Pretendo. Abriu-se minha mão. E toda a terra


De sua pequena superfície não se colou ao vento.


de Hilda Hilst in Júbilo Memória Noviciado da Paixão    (1974)


terça-feira, 3 de março de 2015

Em meu peito


O pássaro debate-se em meu peito.

Ou coração?

A andorinha se esvai na tarde.

Leva consigo o que não sei de mim.


de Dora Ferreira da Silva.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

É preciso dizer-lhes tudo de novo!

https://www.flickr.com/photos/-pooh-/3638166694

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…


de Mário Quintana in "Nova Antologia Poética".

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O Amado Estrangeiro

  http://fineartamerica.com/featured/the-prophet-coming-of-the-ship-barry-novis.html


Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.

Sou um estrangeiro para minha alma. Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz. Quando meu Eu interior ri ou chora, ou se entusiasma, ou treme, meu outro Eu estranha o que ouve e vê, e minha alma interroga minha alma. Mas permaneço desconhecido e oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.

Sou um estrangeiro para o meu corpo. Todas as vezes que me olho num espelho, vejo no meu rosto algo que minha alma não sente, e percebo nos meus olhos algo que minhas profundezas não reconhecem.

Quando caminho nas ruas da cidade, os meninos me seguem gritando: “Eis o cego, demos-lhe um cajado que o ajude.” Fujo deles. Mas encontro outro grupo de moças que me seguram pelas abas da roupa, dizendo: “É surdo como a pedra. Enchamos seus ouvidos com canções de amor e desejo.” Deixo-as correndo. Depois, encontro um grupo de homens que me cercam, dizendo: “É mudo como um túmulo, vamos endireitar-lhe a língua.” Fujo deles com medo. E encontro um grupo de anciãos que apontam para mim com dedos trêmulos, dizendo: “É um louco que perdeu a razão ao freqüentar as fadas e os feiticeiros.”

Sou um estrangeiro neste mundo.

Sou um estrangeiro e já percorri o mundo do Oriente ao Ocidente sem encontrar minha terra natal, nem quem me conheça ou se lembre de mim.

Acordo pela manhã, e acho-me prisioneiro num antro escuro, freqüentado por cobras e insetos. Se sair à luz, a sombra de meu corpo me segue, e as sombras de minha alma me precedem, levando-me aonde não sei, oferecendo-me coisas de que não preciso, procurando algo que não entendo. E quando chega a noite, volto para a casa e deito-me numa cama feita de plumas de avestruz e de espinhos dos campos.

Idéias estranhas atormentam minha mente, e inclinações diversas, perturbadoras, alegres, dolorosas, agradáveis. À meia-noite, assaltam-me fantasmas de tempos idos. E almas de nações esquecidas me fitam. Interrogo-as, recebendo por toda resposta um sorriso. Quando procuro segura-las, fogem de mim e desvanecem-se como fumaça.

Sou um estrangeiro neste mundo.

Sou um estrangeiro e não há no mundo quem conheça uma única palavra do idioma de minha alma...

Caminho na selva inabitada e vejo os rios correrem e subirem do fundo dos vales ao cume das montanhas. E vejo as árvores desnudas se cobrirem de folhas num só minuto. Depois, suas ramas caem no chão e se transformam em cobras pintalgadas.

E as aves do céu voam, pousam, cantam, gorgeiam e depois param, abrem as asas e viram mulheres nuas, de cabelos soltos e pescoços esticados. E olham para mim com paixão e sorriem com sensualidade. E estendem suas mãos brancas e perfumadas. Mas, de repente, estremecem e somem como nuvens, deixando o eco de risos irônicos.

Sou um estrangeiro neste mundo.

Sou um poeta que põe em prosa o que a vida põe em versos, e em versos o que a vida põe em prosa. Por isto, permanecerei um estrangeiro até que a morte me rapte e me leve para minha pátria.

de Khalil Gibran

***Robbie Basho - Khalil Gibran


Traduçao livre

​Khalil Gibran,
Deus inflingiu sofrimento
aos cedros do Líbano;
- Allah Nazul, Allah Rahim (Deus Misericordioso)
Senhor, olhai para baixo e reparai as nossas asas quebradas.
Na Tua Hora Sombria, quando a ira de Satanás encarou
e furtou as Tuas Sagradas Flores;
- Allah Nazul, Allah Rahim;
Senhor, olhai para baixo, reparai as nossas asas quebradas.
E quando o Rouxinol cantar a sua canção de amor à Rosa,
Ela virá novamente, mais clara do que ela aparece agora,
Envolta em azul, aos pés da Lua.
Que o Teu Reino chegue; assim na Terra como no Céu
Será feita a Tua Vontade, Allah Nazul, Allah Rahim,
Senhor, olhai para baixo e reparai as nossas asas quebradas.
YA ABUI, YA ABUI (Oh, Pai)
E quando o rouxinol cantar sua canção de amor para a Rosa,
Ele virá novamente, mais claro do que Ele aparece agora
Vestido de branco, a volitar como se estivesse numa nuvem -
YA ABUI, YA ABUI (Oh, Pai)
Oh, meu coração.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Adotarei o amor

https://www.flickr.com/photos/truus_en_zoo/6054911447


Adotarei o amor por companheiro e o escutarei cantando, e o beberei como vinho, e o usarei como vestimenta.

Na aurora, o amor me acordará e me conduzirá aos prados distantes.

Ao meio dia, conduzir-me-á à sombra das árvores onde me protegerei do sol como os pássaros.

Ao entardecer conduzir-me-á ao poente, onde ouvirei a melodia da natureza despedindo-se da luz, e contemplarei as sombras da quietude adejando no espaço.

À noite, o amor abraçar-me-á, e sonharei com os mundos superiores onde moram as almas dos enamorados e dos poetas.

Na primavera, andarei com o amor, lado a lado, e cantaremos juntos entre as colinas; e seguiremos as pegadas da vida, que são as violetas e as margaridas; e beberemos a água da chuva, acumulada nos poços, em taças feitas de narciso e lírios.

No verão, deitar-me-ei ao lado do amor sobre camas feitas com feixes de espigas, tendo o firmamento por cobertor e a lua e as estrelas por companheiras.

No outono, irei com o amor aos vinhedos e nos sentaremos no lagar, e contemplaremos as árvores se despindo das suas vestimentas douradas e os bandos de aves migratórias voando para as costas do mar.

No inverno, sentar-me-ei com o amor diante da lareira e conversaremos sobre os acontecimentos dos séculos e os anais das nações e povos.

O amor será meu tutor na juventude, meu apoio na maturidade, e meu consolo na velhice.

O amor permanecerá comigo até o fim da vida, até que a morte chegue, e a mão de Deus nos reuna de novo.



de Khalil Gibran


Fairuz فيروز - Al Mahabba 
(Do Amor - trecho de O profeta de Khalil Gibran)



* Para minhas queridas gibranetes: Raquel, Isa e Telma...

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