sábado, 31 de julho de 2010

Bastar-me-ia um...




“Bastar-me-ia um pássaro,
um só pássaro neste céu de inverno,
para que eu me fizesse alegria”.

de Lara de Lemos

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A modo de pássaro precário




Foi sempre a distância mestra severa;

e o refúgio, nas árvores.
O Amor nas frondes,
o abrigo no vento,
lentos remos sulcando espaços: sua água, seu chão.
A modo de pássaro precário
sobreviveu à noite.
Partindo, completou-se.



Dora Ferreira da Silva
in Poesia Reunida
(São Paulo -1918-2006)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pássaros convulsos



chocam-se contra os postes
os pássaros
destilados pela noite
destroçam-se em vôo inatural

batem contra os ossos
surdos
contra os batentes
que não escutam o sangue
jorrar no escuro

de Vera Lúcia de Oliveira

sábado, 3 de julho de 2010

Valsas de Esquina de Mignone



Só um pássaro
e seu peso de orvalho tocando
o chão como se foram teclas.
Passa onde a graça
ilumina a cidade de ferro
subitamente atenta a essa beleza.

Nos jardins teimam rosas
delicadamente.
Violetas africanas
salpicam de ouro
muros escuros
e as princesas purpúreas
espiam dos balcões verdes
nas paredes florescidas:
dançam pétalas
dança a vida
nos jardins contentes
não termina a partitura
que se repete
sempre.

de Dora Ferreira da Silva
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