Ah! quem nos dera que isso, como outrora, inda nos comovesse! Ah! quem nos dera que inda juntos pudessemos agora ver o desabrochar da primavera! Saíamos com os pássaros e a aurora, e, no chão, sobre os troncos cheios de hera, sentavas-te sorrindo, de hora em hora: "Beijemo-nos! amemo-nos! espera!" E esse corpo de rosa recendia, e aos meus beijos de fogo palpitava, alquebrado de amor e de cansaco.... A alma da terra gorjeava e ria... Nascia a primavera...E eu te levava, primavera de carne, pelo braço!
Se pouso o momento e olho o pássaro em seu vôo és tu Laura. Reflete-se a sala em espelhos multiplicando corpos e teu olhar nos segue azul e atento. O ar - bojo de ânfora. Nele traçamos a dança e tu ríspida às vezes se o desenho ferimos incapazes do traço das ânforas.
Como seguir teu corpo tua alma sulcando o ar?
Não há despedida deste momento.
de Dora Ferreira da Silva
Também destaco a onírica e mística arte de Paula in Magic Fly
* Para Mônica, agora lá na Bretanha francesa - porque a Laura do poema me fez lembrar de sua figura e por ter gostado muito dos voos da Dora... (Paresse morale d'ecrire ça en français, Mô... :p)