
Aqui envolto de imensa luz, dissipo de mim aquilo
que não pude alcançar...
Em lugar que tudo brilha receosamente, prefiro entregar-me a mim.
Estas mãos em que eu não pude tocar, esse olhar que nunca
pude enxergar.
Os braços que nunca com os meus puderam se encontrar... Abandono...
Quando a vida se findar, talvez nossos ossos, em distintas e distantes
sepulturas, gritem essa imaterial separação!
Abro as asas de tua essência, encerrada em meus pensamentos...
Deixo-te ir...
Novos céus encontrarão, mas nunca com as cores do meu!
Pássaro, que um dia o tornei cativo, aproveita! Voa!
Beijo-te sem em ti encostar meus lábios, despeço-me de ti!
Quando estes olhos fecharem no plano efêmero, quiçá encontremos na
eternidade, onde as almas se reencontram despidas dos medos,
do engano, com transparência que sobrepõe!
Vá! Ultrapasse esse limite invisível entre a realidade e a tua presença...
Presença que recusa a despedida, mas permite o adeus!




