quinta-feira, 30 de junho de 2011

Adeus... Pássaro!



Aqui envolto de imensa luz, dissipo de mim aquilo

que não pude alcançar...

Em lugar que tudo brilha receosamente, prefiro entregar-me a mim.

Estas mãos em que eu não pude tocar, esse olhar que nunca

pude enxergar.

Os braços que nunca com os meus puderam se encontrar... Abandono...

Quando a vida se findar, talvez nossos ossos, em distintas e distantes

sepulturas, gritem essa imaterial separação!

Abro as asas de tua essência, encerrada em meus pensamentos...

Deixo-te ir...

Novos céus encontrarão, mas nunca com as cores do meu!

Pássaro, que um dia o tornei cativo, aproveita! Voa!

Beijo-te sem em ti encostar meus lábios, despeço-me de ti!

Quando estes olhos fecharem no plano efêmero, quiçá encontremos na

eternidade, onde as almas se reencontram despidas dos medos,

do engano, com transparência que sobrepõe!

Vá! Ultrapasse esse limite invisível entre a realidade e a tua presença...

Presença que recusa a despedida, mas permite o adeus!


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Também fico a imaginar...



A ave voou e imaginou, imaginou por quê
ela era tão pura
e nos céus deveria permanecer
desta altura,
ela poderia vislumbrar a razão
de se saber qual é o auge de um ano ou de uma estação

Sua vida voa com rapidez
como a noite em dia se tornará
e se você começa a pensar uma vez
grisalho, logo seu cabelo ficará
contudo, gostaria de vislumbrar a razão
de se saber qual é o auge de um ano ou de uma estação

Entre estrelas cadentes
e corações partidos, despedaçados
ficam questões pendentes,
falta tocar em alguns pontos que não foram explicados
ainda assim, gostaria de vislumbrar a razão
de se saber qual é o auge de um ano ou de uma estação

O vento e a chuva novamente deram-se as mãos
pelo mundo intocados
procuram manter-se sãos
estão preparados
para imaginar com razão
e saber qual é o auge de um ano ou de uma estação
de Nick Drake
(originalmente é uma canção chamada Bird Flew By do disco Tanworth-In-Arden de 1967/68 - tradução livre e um tanto claudicante - a linguagem poética é muito mais complicada de se traduzir! - Bluuu)



* Não me importo se é pieguice dedicar posts. Assim, este é para ti que também voou. Sabes bem que esta música é muito especial para mim. Assim como tu também és, ainda que, apesar de.

terça-feira, 21 de junho de 2011

do pássaro, do homem, das tempestades...




O pássaro e o homem tem essências diferentes. O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas; o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos. Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra. Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos. Muitos levantam a cabeça acima dos montes; mas sua alma jaz nas trevas das cavernas. (...) Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só... É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma. Quem o sente não o pode expressar em palavras. E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras. Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.

de Khalil Gibran (fragmentos retirados de "A tempestade")

*Este post é dedicado ao meu tio A.C.S. por seu exemplo sempre passarandinho! Pois isso se percebe no olhar e, sobretudo, no agir!

sábado, 18 de junho de 2011

???



Andorinha que vais alta,
Porque não me vens trazer
Qualquer coisa que me falta
E que te não sei dizer?


de Fernando Pessoa in Quadras ao Gosto Popular



* Este post "extra" é para ti. No entanto, me pergunto, depois de tudo e nada, por que voltaste a sobrevoar "a seara gasta de meus dias"?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O que é o que é?



Que tem asas, mas nem sempre voa do jeito que imaginamos?


"Por isso os antigos sábiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos."

de Padre Antonio Vieira

*Charge de Alberto Montt

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Os pássaros



O dia há-de chegar,
com a capa de vento
a ondular
e cabelos de sol a clarear
o côncavo das grutas.
Nas mãos, o riso dos meninos
e o canto dos pássaros.
Sempre os pássaros,
com seus presságios
álacres ou soturnos.
Estarei na minha torre,
a entrançar desejos
de tapetes de flores
e de águas borbulhantes
e de pássaros verdes.
Sempre os pássaros.
O dia há-de chegar,
a embrulhar de azul
o meu castelo,
a invadir a torre,
a incitar-me ao salto,
a colar-me nos olhos
a leveza dos pássaros.
Sempre os pássaros.
Irei.


de
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