
de Rabindranath Tagore













Ei, pintassilgo
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

Alma, pássaro assustado,
tu sempre perguntarás:
quando, após tantos maus dias,
vem a calma, vem a paz?
Mas sei: tão logo tenhamos
calmos dias sob a terra,
com saudade hás de fazer
de cada dia uma praga.
E, apenas salva, estarás
cansando-te em outras penas:
e impaciente arderás como
a mais jovem das estrelas.
de Hermann Hesse in Andares
* Para las 3 brujas.

Não há como escapar. Você não pode ser um vagabundo e um artista e ainda ser um cidadão pacato, um homem saudável e forte. Você quer ficar bêbado, então você tem que aceitar a ressaca. Você diz sim à luz do sol e para suas puras fantasias, então você tem que dizer sim para a sujeira e as náuseas. Tudo está dentro de você, o ouro e a lama, felicidade e dor, o riso da infância e da apreensão da morte. Diga sim a tudo, não fuja de nada. Não tente mentir para si mesmo. Você não é um cidadão sólido. Você não é um grego. Você não é harmonioso, ou o mestre de si mesmo. Você é uma ave na tempestade. Deixe Chover! Deixe que ela o guie! Quanto você mentiu! Mil vezes, mesmo em seus poemas e livros, você representou ser o homem harmonioso, o homem sábio, o feliz, o homem iluminado. Da mesma forma, os homens atacando na guerra representaram ser heróis, enquanto as suas entranhas se contorciam. Meu Deus, que macaco pobre, que esgrimista no espelho o homem é - particularmente o artista - particularmente o poeta - particularmente eu mesmo!



Aqui envolto de imensa luz, dissipo de mim aquilo
que não pude alcançar...
Em lugar que tudo brilha receosamente, prefiro entregar-me a mim.
Estas mãos em que eu não pude tocar, esse olhar que nunca
pude enxergar.
Os braços que nunca com os meus puderam se encontrar... Abandono...
Quando a vida se findar, talvez nossos ossos, em distintas e distantes
sepulturas, gritem essa imaterial separação!
Abro as asas de tua essência, encerrada em meus pensamentos...
Deixo-te ir...
Novos céus encontrarão, mas nunca com as cores do meu!
Pássaro, que um dia o tornei cativo, aproveita! Voa!
Beijo-te sem em ti encostar meus lábios, despeço-me de ti!
Quando estes olhos fecharem no plano efêmero, quiçá encontremos na
eternidade, onde as almas se reencontram despidas dos medos,
do engano, com transparência que sobrepõe!
Vá! Ultrapasse esse limite invisível entre a realidade e a tua presença...
Presença que recusa a despedida, mas permite o adeus!