A terra nos é estreita. Ela nos
encurrala no último desfiladeiro
E nós nos despimos dos membros
Para passar.
A terra nos espreme. Fôssemos nós
o seu trigo para morrer e ressuscitar.
Fosse ela a nossa mãe para se
compadecer de nós.
Fôssemos nós as imagens dos
rochedos
que o nosso sonho levará como
espelhos.
Vimos o rosto de quem, na
derradeira defesa da alma,
o último de nós matará.
Choramos pela festa dos seus
filhos e vimos o rosto
Dos que despenham nossos filhos
pela janela deste último espaço.
Espelhos que a nossa estrela
polirá.
Para onde irmos após a última
fronteira?
Para onde voarão os pássaros após
o último céu?
Onde dormirão as plantas após o
último vento?
Escreveremos nossos nomes com
vapor
carmim, cortaremos a mão do canto
para que nossa carne o complete.
Aqui morreremos. No último
desfiladeiro.
Aqui ou aqui... plantará
oliveiras
Nosso sangue.
de Mahmoud Darwish in "A terra nos é estreita e outros poemas".
E liberdade para tantos outros tratados tao levianamente por nossa mídia golpista:


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