terça-feira, 31 de agosto de 2010

Do perecível



Passa o rio, passa a voz
a face e o vento.
A concha é areia.
O peixe, pedra.
O muro, nada.

Passa o pássaro.

O homem é um nome
no túmulo,
um coração vazio
de conjugar futuros.
O amor uma onda
a refluir, um engano
de espera.

O tempo desenha
novas geometrias
para cada estação.
E as flores passam.

E nesse passo de passar
já somos outros e outro
é nosso abraço.


de Lara de Lemos

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