domingo, 3 de outubro de 2010

O Sabiá e a Rosa



Minha vida imprimo-a no vento
das horas ligeiras.

Quando a lua vier
já não terei segredos;
meu vestido será branco e longo
como lágrimas de um violino
que suspira e passa

Nos amores me amei
vendo-me nua de todo humano calor.

O sabiá calou-se.
Ir de branco tendo o coração ferido.


de Dora Ferreira da Silva (in Jardins, 1979)

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