
por dentro, por fora, por sobre por baixo
entre-poesia,
voa poesia!
Ave-poesia
de penas feitas de sonho,
de carne feita de vento,
cimento feito de sangue quente,
vôo feito a alma da gente,
mesmo que enraizada na dura e fria
terra.
Voa ave-poesia!
com fogo nas asas
e sementes de Luz
para nascer mais Luz,
para acender faróis em noites
escuras e sem estrelas,
esquecidas no próprio peito,
cegando os olhos que buscam-nas fora,
procurando-as qual tesouros
no fundo do Mar
que cabe na superfície de nossa lágrima.
Enraizemos nosso sonho na nuvem,
plantemos as sementes de Luz no vento,
e o fogo,
- ah esse fogo ungüento! -
deixemos incendiar o Mundo todo
com a leveza abrasadora do nosso olhar.
Ave!
rara poesia,
de rapina ou da pajelança poesia,
e voa pra longe,
onde está nosso Ser,
distante e umbilicalmente ligado a nós.
Ave! poesia...
de André Teixeira
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