sexta-feira, 13 de julho de 2012

Os Amigos Infelizes





Andamos nus, apenas revestidos
Da música inocente dos sentidos.


Como nuvens ou pássaros passamos
Entre o arvoredo, sem tocar nos ramos.


No entanto, em nós, o canto é quase mudo.
Nada pedimos. Recusamos tudo.


Nunca para vingar as próprias dores
Tiramos sangue ao mundo ou vida às flores.


E a noite chega! Ao longe, morre o dia...
A Pátria é o Céu. E o Céu, a Poesia...


E há mãos que vêm poisar em nossos ombros
E somos o silêncio dos escombros.


Ó meus irmãos! em todos os países,
Rezai pelos amigos infelizes!




de Pedro Homem de Mello, in "Os Amigos Infelizes"

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