domingo, 30 de setembro de 2012
A Leitora
A leitora abre o espaço num sopro subtil.
Lê na violência e no espanto da brancura.
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.
Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra.
Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.
Desce pelos bosques como uma menina descalça.
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva em chama de água.
Na imaculada superfície ou na espessura latejante, despe-se das formas,
branca no ar. É um torvelinho harmonioso, um pássaro suspenso.
A terra ergue-se inteira na sede obscura de palavras verticais.
A água move-se até ao seu princípio puro.
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.
de António Ramos Rosa, in "Volante Verde"
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2 comentários:
Que lindo! Parabéns pelo belíssimo blog.
Obrigada, Sueli! Fico contente por vc apreciar esta singela coletânea dos meus tesouros preferidos!
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