Le vol (et la chute) d'Icare - de Marc Chagall
Corpo de argila
meu triste corpo
não é verdade
se te disserem
minha elegia
ser mais vaidade
do que homenagem.
Por que o seria?
Me adivinhaste
quando a palavra
nada dizia
e o longo tempo
(quando se amava)
havia dias
em que choravas
e estremecias.
Falam de ti.
Da tua pouca
felicidade.
Mas o que importa
a infinidade
dos teus amantes
se toda vez
que te entregavas
extenuado
te perdias.
Ah, se a poesia
me permitisse
vôos mais altos
mesmo na morte
as confidências
que eu te faria...
Ainda me tens.
E bem por isso
destila em mim
teu peso enorme.
E no poema
que te dedico
meu triste corpo
ainda uma vez
chora comigo
chora comigo.
de Hilda Hilst in Balada do Festival
Poemas de Hilda Hilst
musicados por Zeca Baleiro

2 comentários:
Há um tempo um poema não me bate tão fundo...! Já foi prA LOUCA.
Hilst sempre com o poder de nos imergir e de nos elevar, Tel... Por isso ela passa com suas alas por todo este meu abril despedaçado... Beijo e obrigada por estar sempre a voar por aqui!
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