Verdes mares sulcados por vertiginosas estrias
Ferrugem em que o alento eólico se converte em doce pranto
Foge em debandada o estímulo da secreção
E os pássaros fogem
E a água foge
E a maré vaza
Vazou o alento
Vazou a fuga por entre mares iguais
O rochedo permanece imóvel
Já não mais se vêem pássaros na plenitude da paisagem
Já não mais se sente o ar salgado
Já não mais se vêem os peixes esvoaçando à superfície
E o resto?
Onde está a vida?
Desvanecimento; propósito de fuga; destruição
Não há nada
O mar lunar é um pesadelo desértico.
Extracto de “Cyptus com a cabeça na lua” de Cyptus Minunfus in Nadosmortos.
Chavela Vargas - Luz de Luna

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