Amáveis
Mas indomáveis
O poeta e seu cavalo.
Um arcabouço pensado
Para limitar-se ao pouso
E do vôo, alimentar-se.
Sente os espaços mas sabe
Até onde irá seu passo.
Sente a beleza do salto
Mas conhece sua lhaneza:
A própria, inerte beleza
De saber-se aprisionado
E contentar-se de sonhos
Maravilhar-se de achados.
O poeta - e seu vocábulo.
O cavalo - e seu pedaço de terra
Mais nas alturas,
De brisa, de solidão e hortaliça.
Entrelaçadas aspiram
Respiram juntos.
E vistos em direção
Às cordilheiras do espanto
Quase sempre se confundem.
Sonhando reter no flanco
Exaltação e delírio,
Nas noites de grande lua
(Entre ciprestes e lírios)
O cavalo me acompanha
Às profundezas guardadas
Onde flutuam palavras.
E lá mergulho e anoiteço.
E encontro coisas do medo
Mandalas de cor, rosáceas
E malmequeres antigos
Sobre algum livro encantado
De pergaminho, de prata
E de pensamentos idos.
Mas indomáveis
O poeta e seu cavalo.
Um arcabouço pensado
Para limitar-se ao pouso
E do vôo, alimentar-se.
Sente os espaços mas sabe
Até onde irá seu passo.
Sente a beleza do salto
Mas conhece sua lhaneza:
A própria, inerte beleza
De saber-se aprisionado
E contentar-se de sonhos
Maravilhar-se de achados.
O poeta - e seu vocábulo.
O cavalo - e seu pedaço de terra
Mais nas alturas,
De brisa, de solidão e hortaliça.
Entrelaçadas aspiram
Respiram juntos.
E vistos em direção
Às cordilheiras do espanto
Quase sempre se confundem.
Sonhando reter no flanco
Exaltação e delírio,
Nas noites de grande lua
(Entre ciprestes e lírios)
O cavalo me acompanha
Às profundezas guardadas
Onde flutuam palavras.
E lá mergulho e anoiteço.
E encontro coisas do medo
Mandalas de cor, rosáceas
E malmequeres antigos
Sobre algum livro encantado
De pergaminho, de prata
E de pensamentos idos.
de Hilda Hilst, in Bucólicas
Yma Sumac - Magic

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