sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

IDÍLIO



Como eu preciso de campo,

de folhas,brisas, vertentes,

encosto-me a ti, que és árvore,

de onde vão caindo flores

sobre os meus olhos dormentes.


Encosto-me a ti, que és margem

de uma areia de silêncios

que acompanha pelo tempo

verdes rios transparentes:

tua sombra, nos meus braços,

tua frescura, em meus dentes.


Nasce a lua nos meus olhos,

passa pela minha vida...

- e, tudo que era, resvala

para calmos ocidentes.

Caminhos de ar vão levando

pura e nua essa que andava

com as roupas mais diferentes.


Olham pássaros, das nuvens,

entre a luz dos mundos firmes

e a das estrelas cadentes.

E o orvalho da sua música

vai recobrindo o meu rosto

com um tremor que eu conhecia

nos meus olhos já levados,

idos, perdidos, ausentes...


(Leve máscara de pérolas

na minha face não sentes?)



Cecília Meireles

In Vaga Música








À Zefa Liloca pelo seu rejuvelhecimento anual! Felicidades sempre! Bruxonilda manda lembranças... 

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