— Eu sou a Lei, Eu sou a execução e a lei executada, e o executador
da lei. Sete vezes sete. Eu sou as Duas Senhoras [a Dupla Maat], eu sou
uma nas duas e as duas em uma, ambas e a mesma. Não poderás conhecer-me
pelo meu nome apenas porque sou invocada em ambas as direcções do
espaço, eu termino quando começo. Sete vezes sete. Os Deuses concordam
comigo, os homens temem-me e amam-me mas não me conhecem. Eu sou
desconhecida para as regras dos homens. Eu não existo onde está o
coração do homem, Eu não existo onde está a mente do homem, mas Eu sou
Coração e Mente. Sete vezes sete. A mão direita feita de ouro puro, a
mão esquerda feita de negro metal. Eu durmo sobre cada porta. O meu olho
esquerdo é o de um pássaro da noite. O meu olho direito é o de um
gato. Eu sou a explicação ao que não pode ser explicado. Eu não posso
dar nenhuma resposta porque não sou eu quem é questionada, Eu não sigo
nenhum código porque Eu sou a Justiça e não o bem ou o mal. Eu não julgo
mas Eu sou o juízo. Sete vezes sete. O meu nome não significa
vingança, significa retribuição. A minha mão direita dá a vida e traz
vida, a minha mão esquerda traz a morte e leva a vida. Nada me pode
deter porque Eu dou nascimento a mim mesma sem rival. A minha Vontade
vive no ser de Atum, o meu corpo protege a bondade de Atum. Atum é todo
bondade e Eu sou Tudo. Sete vezes sete.
Trecho de A Viagem Iniciática de Hipátia
- de José Carlos Fernández

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