sábado, 23 de maio de 2009

do Outono




As árvores despidas
O Outono veste de aves.
São pássaros peitos de fogo
Maduros frutos pelos ares.

Alguns, muitos, partiram
E vivem o Verão sul-africano.
Estes ao cantar desancam o frio
Relento sangue de cigano.

Amantes luas sangueas
Práteas pegadas na neve.
Romances lobos se uivam
Na lenda noite breve.

A madrugada atada por flamingos
Ares rasos de nácar.
Rústica felicidade de sonhar amigos
Nas paisagens onde se quer ficar.

Pedras cruzes pedem às heras
Abraços pelos homens recusados.
Ternas como todas as feras
Líquenes beijos brilham de luz.

Hasteadas urzes de corolas pálidas
Até dos prados novos brilhos.
Garridos cogumelos flautam chapéus
E animais dançam seus trilhos.

As chuvas esporeiam chãos de folhas
E erguem teu salto olhos felinos.
Os ventos fertilizam-te daquele sabor a terra húmida
E tuas linces garras ferem-nos.

Das árvores vestidas
Acordam frutos voos chilreantes.
Nas brasas assam castanhas
De fumo campestre às cidades.

Arraiolos, 17 de Setembro de 1989 à tarde.

de
João Rubus (1964-1993)

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