
alimenta a chuva no abraço
quente de uma carícia.
revolve o corpo, como
se a noite fosse uma foz
e as tuas palavras um rio.
faz de mim uma estátua aninhada,
junto de uma árvore centenária,
um plátano talvez, com a serra
por detrás da lua,
e com dois pássaros pousados no
colo do portão da casa.
fecha a porta e faz de conta que somos
duas estrelas,
com o brilho nu de quem ama
somente de madrugada.
a lua acesa morre na lâmina dormente
da treva fria.
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