segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Amou...




LIII

Cadenciadas
Vão morrendo as palavras
Na minha boca.
Um sudário de asas
Há de ser agasalho
E pátria para o corpo.
Anônimo, calado
O poeta contempla
Espelho e mágoa

Fragmentos de um veio
Berçário de palavras.

Umas lendas volteiam
O poeta vazio de seus meios:
Escombros, escadas

Amou de amor escuro

A fugiu de si mesmo
De sua própria cilada.

O poeta. Mudo.
Aceitável agora para o mundo
No seu sudário de asas.

de Hilda Hilst in Cantares de perda e predileção

Um comentário:

Telma Monteiro disse...

A poesia poderosa de Hilda Hilst! Bela postagem!

E aviso que, após um longo e tenebroso inverno, voltei a alimentar o CAIXA DE BOMBOM. Quando puder, passe lá!

Abraço!

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