
LIII
Cadenciadas
Vão morrendo as palavras
Na minha boca.
Um sudário de asas
Há de ser agasalho
E pátria para o corpo.
Anônimo, calado
O poeta contempla
Espelho e mágoa
Fragmentos de um veio
Berçário de palavras.
Umas lendas volteiam
O poeta vazio de seus meios:
Escombros, escadas
Amou de amor escuro
A fugiu de si mesmo
De sua própria cilada.
O poeta. Mudo.
Aceitável agora para o mundo
No seu sudário de asas.
de Hilda Hilst in Cantares de perda e predileção
Um comentário:
A poesia poderosa de Hilda Hilst! Bela postagem!
E aviso que, após um longo e tenebroso inverno, voltei a alimentar o CAIXA DE BOMBOM. Quando puder, passe lá!
Abraço!
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