
Companheiros, é de lua
A noite que vem chegando.
Para engolir o meu pranto
Que eu não saiba de outras vidas
Nem dos que estão se matando.
Já tive tanta desdita
Que é preciso ir inventando
Caminhos novos, veleiros (Além do mais navegando
Se conhece o marinheiro).
Verdade é o que tu me dizes:
O amor, poeta,
É alegria.
Por isso é que estou tramando
Viagens, vínculos, dádivas
Por isso a noite é de lua
E o coração é de brasa.
Não quero saber de herdeiros
Partilhando o meu encanto.
Inúmeras as viuvezes
Para uma vida tão pouca
E de amor...
Ai, tantas vezes
Incendiaram as estrelas.
E nos sentires, nos tatos
Em todos os meus adeuses
O amor se reinventava
A si mesmo, tanto, tanto.
(Mas afinal é de pranto
O amor que se diz contente?)
Companheiros, é de lua
A noite que vem chegando.
E uma lua nas alturas
Tem tal força, tais ardências...
Senão vejamos: Eu poeta
Nesta e noutras existências,
Cantando o do amor mais triste
(Onde se meteu a lua?)
Cantei-me. De amor contente.
de Hilda Hilst
Um comentário:
Lindo demais...!
Postar um comentário