Um ninho de fios de palha
No auto da comeeira
Morada de um sabiá
Um sabiá laranjeira
Em baixo dele uma casa
Meu lar de sapê, meu ninho.
Assoviava as tardes
Em duo com o passarinho
A vizinhança era grande
Amigos de mais eu tinha
O terreiro abarrotado
De amigos que ali vinha
Mas a casa era pequena
E não pôde comportar
O cupidez que chegava.
A minh’alma arrebatar
Pus as roupas numa mala
Para trás nem quis olhar
Peguei a rua de asfalto
Mudei-me para outro lugar
Esta é terra sem amigos
Cada um quer só seu bem
Ninguém aqui é contente
Com as coisas que eles têm.
Tentar ser e ter amigos.
Sei que aqui isso é besteira
Mas queria ter comigo
Meu sabiá laranjeira.
de Osmar Ritz

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