os meus pés corriam ligeiros pela relva,
e os meus olhos erravam,
distraídos e felizes,
pela paisagem toda...
quando eu não pensava em Ti,
as minhas noites eram
como o sono do céu, cheio de luar...
Quando eu não pensava em Ti...
a minha alma era simples e quieta...
A minha alma era uma ave mansa,
de olhos fechados,
na alta imobilidade de um ramo,
quando eu não pensava em Ti...
E agora,
ó Eleito,
o meu passo demora,
esperando pelos meus olhos,
que procuram a tua sombra...
As minhas noites são longas, morosas,
tão tristes,
porque o meu pensamento
põe-se a buscar-te,
e eu, sem ele, fico mais só...
Perderam-se os meus olhos
entre as estrelas,
entre as estrelas se perderam
as minhas mãos,
nesta ansiedade de te alcançarem...
Eleito, ó Eleito,
por que foi que eu fiquei assim?
Por que,
desde o chão do meu corpo
até o céu da minha alma,
sou uma fumaça de perfume
subindo em teu louvor?
.......................................................
Quando eu não pensava em Ti,
os meus olhos erravam,
distraídos e felizes,
pela paisagem toda...
de Cecília Meireles

2 comentários:
Sempre passo aqui pra ver os lindos poemas. Sei que vc adora a Hilst, mas Cecílissima eh de matar o coração, neh não?
Cecília é amor antigo...
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