Haverá sempre o medo
e o escondido pranto
no meu canto de amor.
Dos homens e da morte
mais noite que auroras
em verso e pensamento
concebi. Nas crianças
amei os olhos e o riso
o clamor sem ouvido
o medo, o medo, o medo.
Se a fantasia
aproximar de mim
a tua presença,
fica. A teu lado,
serei amante sem desejo:
Pássaro sem asa.
Submerso leito.
de Hilda Hilst in Balada do Festival

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