
Que tem asas, mas nem sempre voa do jeito que imaginamos?
"Por isso os antigos sábiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos."
2 comentários:
Ah, o que dizer desse texto? Caiu-me como uma luva... "O tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto..." Parabéns pela escolha.
Abraço
Obrigada, Telma! Gosto deste texto especialmente pela contradição que possivelmente representa..., já que foi um padre que o escreveu... rsrs... Um abraço! E votos de muito amor nestes dias tão amorosos!
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