
Aqui envolto de imensa luz, dissipo de mim aquilo
que não pude alcançar...
Em lugar que tudo brilha receosamente, prefiro entregar-me a mim.
Estas mãos em que eu não pude tocar, esse olhar que nunca
pude enxergar.
Os braços que nunca com os meus puderam se encontrar... Abandono...
Quando a vida se findar, talvez nossos ossos, em distintas e distantes
sepulturas, gritem essa imaterial separação!
Abro as asas de tua essência, encerrada em meus pensamentos...
Deixo-te ir...
Novos céus encontrarão, mas nunca com as cores do meu!
Pássaro, que um dia o tornei cativo, aproveita! Voa!
Beijo-te sem em ti encostar meus lábios, despeço-me de ti!
Quando estes olhos fecharem no plano efêmero, quiçá encontremos na
eternidade, onde as almas se reencontram despidas dos medos,
do engano, com transparência que sobrepõe!
Vá! Ultrapasse esse limite invisível entre a realidade e a tua presença...
Presença que recusa a despedida, mas permite o adeus!
2 comentários:
Uau ao quadrado.Pensei até que fosse seu...desabafo. E essa imagem de pássaro se dissipando é o fim. Amei!
De fato me identifiquei muito com estes pensamentos do jovem professor de literatura; cujo nome e blog estão creditados abaixo do texto. Espero que ele não se importe de ter compartilhado aqui. Encontrei passarinhando pela vizinhança... Me sentei em seu divã... Disse-lhe que suas palavras me remetiam a Gibran.
E te afirmo que refletem um pouco do meu fado. São tantos adeus.. e tantas ausências "que recusam a despedida"... mas adeus tem que ser feito além de dito...
Contudo - sempre um contudo! e com nada também! - sinto que vai custar um pouco isso...
A foto é uma pintura, momento incrível captado, não? ... é bem como sinto... dissipando sentimentos... dissipando brumas de pensamentos, como diz uma outra amiga de alma... enfim...
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